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Entrevista com a Personal Organizer: Ana Flavia Furlan

segunda-feira, 01 de fevereiro de 2021

Voltamos com uma categoria muito querida por todos aqui no blog, o entrevisat com a personal organizer. Para estreiar o ano de 2021 convidei Ana Flavia Furlan, ela vai nos contar um pouco sobre sua trajetória, experiências, desafios. Ela é do Rio de Janeiro, ama estudar e aprender, tem diversas especailizações em áreas diferentes, tudo para agregar ainda mais seu atendimento. Vamos conhecer agora a história da Ana Flavia Furlan:  

 

 

 

Jornalista por formação, abandonei a profissão depois de mais de 20 anos trabalhando em redação para me tornar personal organizer especialista em home no ano de 2014. Fiz diversos cursos na área como de baby organizer, técnicas de limpeza, sustentabilidade, compatibilização além de life coaching, coaching de vendas, comunicação assertiva, comunicação com propósito, neurociência, produtividade e propósito, marketing digital, vendas entre outros. Hoje atuo no nicho residencial como home coaching com foco em closets na empresa que fundei em 2016, a Organizar é Preciso (@organizarepreciso). Em 2018, iniciei o atendimento online onde transfiro conhecimento e crio projetos de organização para serem executados pelas clientes sob minha mentoria. Durante a pandemia, lancei o curso de Consultoria Online para Personal Organizer, que está na segunda turma com quase 200 POs certificadas no meu método de atendimento à distância e fila de espera para próxima edição. Além disso, mantenho o hub digital Decola PO onde troco informações e compartilho com conhecimento com as colegas de profissão e alunas no Instragram (@decolapo), no Facebook e no Telegram. 

 

1. Kalinka: O que é um personal organizer?

Ana: É o profissional treinado para identificar padrões de comportamento que causam a desordem em um ambiente e intervir nesses comportamentos usando diversas técnicas e criando sistemas que facilitem a gestão de seu espaço e de seu acervo. Esses sistemas, quando bem implementados e colocados em prática pelo cliente, levam a criação de novos hábitos, que resultam em mais ordem no dia a dia, maior produtividade, mais economia e melhora das relações interpessoais, além de diminuição da ansiedade, do estresse e da carga mental.  Esse processo, quando executado em parceria com o cliente, transferindo conceitos e conhecimento - que é a maneira como gosto de atuar - pode levar a um processo de profundo autoconhecimento e transformação, com potencial para elevar a autoestima, a capacidade de priorizar e administrar o tempo, além de aumentar a assertividade ao lidar com seus objetos e a capacidade de tomar decisões.

 

 

2. Kalinka: Como funciona o trabalho de um personal organizer?

Ana: O trabalho começa por uma espécie de anamnese onde o profissional vai perceber quais os pontos daquele ambiente estão disfuncionais considerando os hábitos, a rotina e os desejos do cliente. É preciso ler nas entrelinhas e perceber o que não está sendo dito porque é geralmente ai que se esconde a real dor ou o real desejo que motivou o início desse processo. Partindo desses dados, ele irá criar um projeto para solucionar cada um dos problemas de organização, considerando funcionalidade, frequência de uso dos itens, comportamentos e especificidades das pessoas envolvidas, além da conservação do acervo e o conforto visual. Seu objetivo final é que o ambiente funcione de uma maneira quase orgânica, que cada coisa esteja exatamente onde as pessoas vão precisar dela, ao alcance das mãos, quase que instintivamente, que esteja visível, fácil de ser retirada e mais fácil ainda de ser guardada. Dessa forma, a engrenagem do sistema criado não para de girar.  Para isso, o profissional lança mão de diversas técnicas e de produtos organizadores quando necessário.

Fonte: Arquivo Pessoal 

 

 

3. Kalinka Quem são as pessoas que precisam de um personal organizer?

Ana: Além, obviamente, das pessoas que vivem na absoluta desordem, em locais onde não se encontra nada, onde todos estão sempre brigando por conta de coisas simples e cotidianas, há aquelas pessoas que aparentemente tem um ambiente arrumado, mas sentem que estão de alguma forma sem o controle daquele espaço. Sentem como se não fossem donos de suas coisas, de seu tempo ou de sua rotina e acreditam que manter tudo em ordem é algo exaustivo, como enxugar gelo, simplesmente porque não conseguem ver os objetos de maneira lógica e criar sequencias racionais de uso e armazenamento. E estão sempre tendo retrabalho. Essas pessoas também precisam da ajuda de um personal organizer.

 

 

4. Kalinka: Há quanto tempo você trabalha como personal organizer? Por que resolveu ser personal organizer? O que mais gosta de organizar? 

Ana: Sou personal organizer desde 2014. E nunca fui organizada. Eu era daquelas que tinha uma gaveta na sala que armazenava pilhas, passaporte, linha e agulha, bilhete do colégio, correspondência, tarraxa de brinco... Meu armário de roupas você abria a porta com uma mão e segurava as coisas com a outra pra não cair na sua cabeça.  Eu tinha uma enorme dificuldade de priorizar. Minha mesa no trabalho era assustadora, mas eu vivia repetindo: eu me acho na minha bagunça. De fato eu me achava, mas a um custo alto. Era tanto nervoso, tanto sobressaltos que eu vivia ansiosa, cansada. Mas não tinha ideia que a desordem era a causa disso tudo. Quando eu mudei de São Paulo para o Rio eu entrei em uma depressão muito séria. E minha terapeuta disse que eu precisava me organizar. Mesmo sem entender muito bem onde aquilo me levaria, eu comecei a organizar cada cantinho da minha casa. E com isso meus pensamentos foram se organizando e eu consegui ir me recuperando. Foi então que percebi que queria levar aquela experiência para outras pessoas.  Eu já tinha feito o cursos no Senac e resolvi largar definitivamente minha profissão de jornalista e me tornar organizador profissional. Em seguida fui aprender mais sobre as pessoas, estudei neurociências, me certifiquei coach, me aprofundei em comunicação assertiva e comunicação com propósito e não parei mais. Para mim, o trabalho do personal organizer é um trabalho de desenvolvimento humano. É um trabalho com pessoas, através dos objetos.

Fonte: Arquivo Pessoal

 

 

5. Kalinka: O que é necessário para se tornar um personal organizer?

Ana: Para mim o essencial é gostar de gente. É querer ajudar as pessoas a viverem melhor com total ausência de julgamento. Depois penso que seja necessário ter uma visão espacial e sistêmica apurada. Aquele olhar que enxerga soluções e aquela mente que pensa de maneira encadeada, um passo após o outro. Em terceiro vem o estudo. Muito estudo, em múltiplas esferas de conhecimento. Psicolologia ambiental, comportamento humano, sistemas de organização, ergonomia, produtividade, arquitetura, marcenaria, tipos de tecido, sistemas de arquivo, artes, vinhos, etiqueta... Dependendo do caminho que você for seguir dentro da profissão você precisa ter uma gama de conhecimentos correlatos. E por último, mas não menos importante, acredito ser imprescindível ter uma boa certificação que vai te ensinar a base das técnicas e vai te dar as ferramentas necessárias para você empreender.

 

 

6. Kalinka: Onde atua o personal organizer? Há mercado para a profissão? Como é cobrado o valor?

Ana: Quando eu era jornalista e me faziam essa pergunta eu costumava responder: “se todo mundo quiser trabalhar na Globo, o mercado vai ser escasso. Mas se explorarmos as diversas possibilidades, tem lugar para todo mundo”. E o mesmo vale para o personal organizer. Acredito que existam alguns nichos que sejam mais explorados e, obviamente, mais concorridos, mas acredito muito na pluralidade de demanda e nos subnichos. Quanto mais você se especializa em algo, mais você vai se tornando um profissional ímpar. E nesse sentido somos abençoados porque a organização está em todo lugar. Hoje já temos personal organizers especialistas em organização alimentar, necessidades especiais, fotografia, documentos, estudo, barcos, pequenos apartamentos, minimalismo, sustentabilidade... E eu acredito que isso vai crescer cada vez mais. E o mercado vai expandir mais e vai exigir cada vez mais especialização.  Sobre o valor, basicamente é calculado pela quantidade de horas que a profissional vai estar envolvida com aquele cliente. O valor/hora varia de acordo com a experiência da PO, o nível de especialização e a região onde atua.

 

Fonte: Arquivo Pessoal

 

 

7. Cite três coisas boas e três coisas ruins de ser personal organizer

Ana: 

Boas

  • Trabalhar com pessoas e impactar diretamente em suas vidas
  • Ter liberdade de horário e uma rotina flexível
  • Usar a criatividade aliada ao conhecimento para criar um projeto diferente para a necessidade de cada cliente

Ruis

  • Pouca compreensão do trabalho do profissional de organização
  • As dificuldades de empreender no Brasil
  • Esforço físico intenso

 

 

8. Kalinka: De alguma dica de organização ou conselho para nossos leitores

Ana: Para quem quer se organizar: comece a trabalhar sua mente no sentido de que quanto mais coisas você tem, mais coisas você tem que administrar e isso te toma tempo e tempo é um recurso não renovável. Gastou mal, ta gasto! Não há dinheiro que compre ou reponha. Para quem é profissional da área: nunca se esqueça que organizar não é sobre objetos, é sobre pessoas.  Estude as pessoas, ensine as pessoas, ame as pessoas. Quando você toca as gavetas de alguém você está remexendo em algo que ela acredita que a representa, que conta sobre ela e isso é íntimo e pode ser doloroso.

Fonte: Arquivo Pessoal

 

 

9. Kalinka: Indique algum produto de organização que acha essencial ter

Ana: Eu não acho nenhum produto essencial, mas tenho meus queridinhos. As colmeias, os cestos e as prateleiras ganha-espaço

Fonte: Arquivo Pessoal

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